DEITADO

Deitado num campo ao fim da tarde,
revelo que a perfeição nunca me habitou.

Pensei viver os instantes, sem tinta,
sorrir como fui, antes da descida e
dançar ao luar nas chuvas abstratas.

O colorido pra mim agora é cinza.
Ao final, torno-me mais sério, desfeito,
Não me encontro mais, perdido.

Fui ilusão, cada instante um engano,
Narrado pelas minhas poesias mentirosas.
Distante, no passado vejo-me desenganado.

Recordo sonhos que se perderam,
Onde o nascer do sol desvaneceu,
Caminhava bem, iludido.

Agora corro pelo campo 
Tropeço nas minhas falhas
E sempre choro inconsciente, lágrimas silentes.

Embriagado para ocultar infelicidade,
Mas é hora de cessar, pois estou perecendo.
E perdido, sem me reconhecer.

Wlielton Martins 


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