SURTADO

Na beira de um lago,

um estranho me observa.

Ávido, ele some e escurece.

O tempo passa—nunca mais o vejo.


Grito insano, e todos escutam.

Reajo errado, não me calo.

Explodo como meteoros velozes,

rezo novenas que apagam pecados.


Entristeço, não durmo, desperto.

Fico louco, perturbado, perdido.

O alinhamento se perde em mim,

as vontades desandam meu fim.


Tão eu—doce e sensível—

deixei o coração aberto a isso.

Por onde me interpretam, serei,

sem saber em que errei.


O estranho reflete agora na água,

no mesmo lugar onde estive a olhar.

E então me pergunto: o que seria?

Ao fim, percebo—eu era ele.


De Wlielton Martins


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